19/03/2008
Benim Menino
Por Claufe Rodrigues8.De que vale ser um rei
Se não há lei que faça
Crescer barba no Benim menino?
Seu reinado é uma farsa
Como uma igreja sem sino.
14/03/2008
OLHO DO CÂMERA: O abacaxi do Benim
Saíamos muito cedo do hotel e tínhamos que encarar o
calor, que acordava bem antes da gente. A poluição intimidava o sol de brilhar. O
mormaço constante mantinha a temperatura alta.
A
roupa mais confortável para se trabalhar era camiseta, bermuda e tênis. O Claufe, como apresentava o programa, tinha que ser mais formal: camisa pólo, calça jeans e "sapatênis". O coitado suava horrores. Enxugava constantemente a testa e o pescoço como quem enxuga gelo...
Claufe Rodrigues, Alexandre dos Santos e Paulo Pimentel
Claufe Rodrigues, Mariano e Paulo Pimentel
Paulo Pimentel gravando no calor da praia
Eu, como carregava a câmera por muito tempo no ombro, perdia muita energia com a suadeira habitual. Mas logo encontrei a maneira mais doce de repor as energias: os
abacaxis do Benim! Eram vendidos nas estradas por onde passávamos. Meninos e meninas equilibravam aquele perfumado fruto sobre as cabeças, em bacias de alumínio, e abriam o sorriso agradecido, quando o Victor, a meu pedido, parava a van e pedia, em fom ou iorubá, para descascar a deliciosa fruta para o câmera sedento... Ah, que
saudade dos abacaxis do Benim!
Paulo Pimentel, repórter cinematográfico
12/03/2008
Diário do Benim: a comida e a bebida
Come-se muito bem no Benim. A dieta do beninense é muito parecida com a do
brasileiro. O acompanhamento padrão é o arroz e a farinha de mandioca, mas todos os pratos podem vir acompanhados de cuscuz (arroz com semolina, bem amarelo), legumes ou alokô (banana da terra cozida ou frita).
Os pratos com carne de boi ou de cabra são, geralmente, os mais
caros, assim como a carne de coelho (um pouco mais difícil de encontrar). Galinha caipira (aquela criada solta no quintal) também é referência nos cardápios. Mas a grande estrela dos pratos beninenses é, sem dúvida, o
peixe; bem mais barato, saboroso e diverso.
O tipo do peixe nunca está especificado no cardápio. É sempre peixe do dia, fresco e inteiro, podendo ser do mar ou de rio, já que a região da costa é salpicada de lagoas e alagadiços que espalham as águas dos estuários dos rios e favorecem a pesca. Geralmente é cozido na brasa, embrulhado em
folhas de bananeira.
Escolhida a carne e o acompanhamento, o prato vem servido com tijelas contendo separadamente dois outros ingredientes essenciais: um molho de tomate com cebola (delicioso, por sinal) e a pimenta, que pode vir como uma pasta vermelha ou verde (parecida com a raiz forte da culinária japonesa). Qualquer uma delas é tiro-e-queda. Seja sempre comedido, para evitar efeitos colaterais!

Refrigerantes são todos aqueles que já conhecemos, além do
café-cola (uma delícia - devia ter no Brasil!). Mas vê-se muito pelas ruas os beninenses bebendo sucos das frutas locais, principalmente laranja e abacaxi que, por sinal chegou ao Benim pelas mãos dos
retornados.Nas praias do litoral, água de coco! Mas a semelhança com as praias brasileiras termina aí. O coco é servido na temperatura ambiente, nada de gelo, e todo mundo prefere assim. Ninguém reclama!A
cervejinha é de lei. Tem a Flag, vendida em todas as ex-colônias francesas na África Ocidental. Mas por aqui o pessoal gosta mesmo é das cervejas locais: as mais apreciadas são a Béninoise e a Eku, produzidas e vendidas no Benim e exportadas também para o vizinho Togo.
Foi em Porto Novo que encontramos um carro inacreditável. Parecia um refugo do período colonial! Era usado para fazer o transporte dos engradados de bebida de um restaurante. Só acreditamos que ele realmente andava porque vimos quando o motorista chegou, estacionou, descarregou a mercadoria e saiu novamente.

O mais
curioso é que no fim do nosso primeiro dia de trabalho, fomos convidados pelo vice-cônsul José Carlos e pela esposa dele, Maria dos Socorro, para jantarmos fora. E lá fomos nós, cinco brasileiros, apreciar a culinária chinesa de Cotonu!
Claufe, José Carlos, Socorro, Alexandre e Paulo no restaurante chinêsAlexandre dos Santos
10/03/2008
Benim Menino
Por Claufe Rodrigues7.Nada é de graça nesse mundo
Nem o sorriso do menino Benim
Trocava meu tambu e meu tantan parlan
Por um sorriso assim
06/03/2008
OLHO DO CÂMERA: As mulheres da mesquita
Por fora era uma igreja católica. Por dentro, a surpresa: a
mesquita muçulmana acolhia seus peregrinos que ali chegavam para a oração do início da tarde.
As mãos e os pés eram lavados com a água cristalina que saía das torneiras coletivas na parte de trás da mesquita. Banhavam os rostos ao som dos alto-falantes que avisavam aos fiéis a hora da reza.

Um senhor, agachado, vestia-se de lilás. Transparecia paz e tranqüilidade... Me aproximei dele e, também agachado, pedi permissão com os olhos para filmá-lo. A autorização veio na forma de um
sorriso.

Dali, segui para o pátio de entrada da mesquita e registrei, discretamente, os detalhes do
ritual onde os homens se ajoelham encostando a testa no
chão e, em movimentos sincronizados, se levantam dizendo: Alah seja louvado...
Um pouco mais atrás, separadas dos homens por uma cortina clara, quase transparente, as mulheres também rezavam ao profeta
Alah, executando os mesmos movimentos respeitosos. Um balé de véus (chadores) a cada movimento das fiéis.
Eu, como repórter cinematográfico, já havia filmado em mesquitas de vários países de religião muçulmana, mas nunca tinha tido acesso à área das mulheres. Com
respeito, registrei as imagens e me retirei quase sem ser notado...
Paulo Pimentel, repórter cinematográfico



